Doze estudantes indígenas ficam sem transporte acessível após mudança na rota de ônibus escolar


Doze estudantes moradores da Terra Indígena Rio Branco, localizada na região de Alta Floresta (RO), precisam percorrer mais de 30 km para conseguir estudar na cidade. Para isso, eles dependem de um ônibus escolar, que passava pela TI, mas, neste ano, mudou a rota e distanciou ainda mais os indígenas de uma educação adequada.


Os pais afirmam que os alunos da aldeia, que têm entre 7 e 18 anos, precisam caminhar em boa parte do trajeto até a divisa da terra com a cidade para conseguir pegar uma “carona” no transporte escolar e chegar até o Distrito Nova Gease D’Oeste, onde fica a escola.


Alguns usam motocicletas até o ponto, mas não têm onde guardar o veículo, que fica às margens da entrada até retornarem da aula.


“Antes eles pegavam o ônibus na região do Bom Jesus, mas a prefeitura tirou e colocou um ponto que estendeu 1 km a mais para caminharem a pé para conseguir o transporte”, contou o pai de dois alunos, Márcio Aruá.

Segundo Márcio, no antigo ponto de ônibus, os alunos ficavam seguros em uma casa até a chegada do transporte. Agora, o novo local de espera não possui cobertura ou bancos.


“Eles já chegaram a pegar chuva esperando o ônibus. É algo fora da realidade. Além disso, se usam algum veículo para facilitar o caminho, eles não têm onde deixar, correm o risco de perder”, pontuou.


Em busca de melhor ensino


Márcio Aruá contou que crianças e adolescentes da aldeia estudam na cidade, na escola Escola Municipal Maria de Souza Pego, há cerca de 6 anos. Ele afirmou que existe uma pequena escola estadual dentro da Terra Indígena, mas com um formato de ensino diferente do que se encontra nas cidades.


“O estudo aqui é diferenciado para os indígenas, pois faz parte de um projeto do governo e eles querem que as crianças fiquem aqui dentro. Hoje, meus filhos precisam estar preparados para disputar um cargo com as pessoas lá fora e não com os indígenas daqui de dentro. Por isso, eles querem estudar e buscar mais conhecimento na cidade”, pontuou.

Os pais afirmaram ainda que já tentaram buscar ajuda com a prefeitura e governo do estado para conseguir um transporte acessível aos filhos, no entanto, não tiveram respostas.

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